Como identificar a ocorrência de Intrusão de Vapores?

A investigação de intrusão de vapores pode ser realizada através da amostragem ativa ou passiva.

Como identificar a ocorrência de Intrusão de Vapores?
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A escolha do tipo de amostragem, se ativa ou passiva, pode ser definida com base em alguns critérios tais como: lista de compostos de interesse, sensibilidade do método, variação temporal, prazo para emissão dos resultados e custo.

No caso de amostragem ativa, os principais métodos analíticos utilizados para determinação das concentrações dos compostos orgânicos voláteis (VOC) no ar do solo são USEPA TO-15 e USEPA TO-17. Estes métodos tem a capacidade de detectar e quantificar concentrações muito baixas e suficientes para comparação com os Regional Screening Levels (RSLs) da USEPA.

A metodologia USEPA TO-15 é baseada na coleta de amostras em recipientes evacuados como Canisters ou Bottle Vacs® e a análise é realizada por Cromatografia Gasosa e Espectrometria de Massa (GC/MS). A principal diferença entre a metodologia USEPA TO-17 é que nesta a coleta é realizada em tubos recheados com material adsorvente e, neste caso, é feita a passagem do ar pelo tubo adsorvente com o auxílio de uma bomba de amostragem.

Em áreas muito contaminadas, as amostragens de VOC podem ser realizadas em Tedlar Bags, em função dos limites de quantificação serem maiores, para se fazer uma varredura (screening) principalmente e, neste caso o método da USEPA 8260C é o mais indicado, sendo que a amostragem pode ser realizada com seringas, bomba de baixa vazão ou amostrador tipo “pulmão”, por exemplo.

Já o Flux Chamber caracteriza-se pela disposição de uma câmara fechada sobre o piso por período de tempo determinado, sendo que os contaminantes migram e se acumulam no interior da mesma e as amostras de vapor podem ser obtidas via septos hermeticamente acoplados à esta câmara. Esta amostragem permite a medição direta do fluxo de vapores que migram da subsuperfície para a atmosfera por processos de difusão e diferenciação climática, teoricamente sem alteração na taxa de emissão de vapores.

A utilização de laboratórios móveis para a realização de monitoramento contínuo vem se destacando pela agilidade de obtenção de resultados em tempo real, o que agiliza a interpretação dos resultados, principalmente em relação a identificação de concentrações anômalas no ar de ambiente interno, se as mesmas ocorrem devido à intrusão de vapores, ou são oriundas de fontes internas, por exemplo. Para este tipo de laboratório, um dos métodos analíticos empregados é USEPA TO-14 Modificado.

A amostragem passiva pode ser realizada com diversos tipos de modelos de amostradores disponíveis no mercado, sendo que as principais diferenças entre estes amostradores são: tamanho, formato, taxas de adsorção, sorbentes, meio de adsorção, método de análise, forma de quantificação (massa/concentração) e aplicação.

Embora a amostragem passiva seja simples de ser realizada, tenha uma ótima relação custo benefício, os resultados da mesma não podem ser utilizados para elaboração de avaliação de risco, mas podem ser utilizados para um screening inicial da área, bem como para descobrir a fonte de contaminação, sendo as amostras analisadas pelo método USEPA TO-17 Modificado ou USEPA 8260 Modificado.

Cabe destacar que é preferível a realização deste screening previamente à seleção do número e localização dos pontos de amostragem ativa, ao invés de se utilizar a tabela de referência do guia do estado de New Jersey (2018), que é baseada somente no tamanho da área de construção da edificação para definição do número de amostras em sub-slab e ar ambiente interno.

Já os resultados da amostragem ativa podem ser utilizados tanto para avaliação de risco quanto para mapeamento das plumas de contaminação, entretanto, os custos para esta amostragem são mais altos.

A amostragem de vapores do solo pode ser realizada em poços de vapor com múltiplos níveis, os quais devem ser instalados com materiais apropriados segundo a norma ASTM D7663:2018, como por exemplo vidro, inox, PTFE e PEEK, os quais não tem tendência de reagir com os contaminantes. Estes poços podem ser permanentes ou provisórios e instalados nas laterais ou no interior da edificação, dependendo da localização da área-fonte.

Já a amostragem de vapores logo abaixo do piso, ou seja, no contra-piso (sub-slab) pode ser feita com o uso de um dispositivo de aço inoxidável tipo Vapor Pin®, entre outros dispositivos similares disponíveis no mercado.

Para a amostragem de ar interno é necessário fazer um inventário de produtos químicos armazenados/utilizados ou remover as fontes internas (se possível), verificar a existência de portas ou janelas abertas, monitorar os parâmetros meteorológicos (pressão barométrica, temperatura, velocidade e direção do vento, umidade relativa do ar), amostrar na altura da zona de respiração de um adulto que é aproximadamente 1,5 m, bem como amostrar o ar externo ao mesmo tempo (foto abaixo), na mesma na altura da zona de respiração do ar interno. Além disso, deve-se verificar a existência de possíveis fontes externas de contaminação, oriundas de indústrias instaladas no entorno e tráfego de veículos.

Como identificar a ocorrência de Intrusão de Vapores?

Fonte: Acervo pessoal

Sem dúvida uma das principais dificuldades em medir diretamente o ar interno para verificar a presença de intrusão de vapores é a identificação da fonte, pois muitos produtos de consumo industrial ou doméstico possuem os mesmos VOCs investigados, além disso, as concentrações de VOC no ar interno podem ser muito variáveis e o custo de monitoramento contínuo pode ser proibitivo, dependo do orçamento do projeto.

Quando as concentrações obtidas em campo são somente para solo e contra-piso, é preciso converter estes valores obtidos para valores de ar interno e para tanto são utilizados os fatores de atenuação recomendados pela CETESB. Outra conversão necessária é que as concentrações apresentadas pela USEPA são para risco carcinogênico de 1E-6 e no estado de São Paulo utiliza-se 1E-5, portanto, os valores da tabela da USEPA devem ser multiplicados por 10 para atender aos padrões deste estado.

A partir dos resultados analíticos é possível identificar se as concentrações em ar ambiente ocorrem devido a intrusão de vapores do contra-piso, fontes internas ou mesmo externas, sendo que é muito importante também a avaliação das múltiplas linhas de evidência para interpretação destes resultados, como o diferencial de pressão entre sub-slab e ambiente, dados meteorológicos, entre outros.

Resumindo, a amostragem de vapores pode ser realizada em pontos adjacentes à edificação, logo abaixo do contra-piso e no ar interno e externo e, para tanto, os procedimentos básicos de amostragem (testes iniciais de permeabilidade do solo, teste de estanqueidade com gás traçador, purga e coleta) devem ser realizados por profissional habilitado e as amostras devem ser analisadas em laboratório acreditado para que os resultados sejam confiáveis e possam ser utilizados com segurança para uma tomada de decisão, caso seja confirmada a ocorrência de intrusão de vapores.

 

 

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